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Orelha do meu terceiro livro, Descalço nos trópicos sobre pedras portuguesas.
(Disponível em livrarias, entre as quais Travessa, Cultura, Blooks, Livraria da Vila.)
Por Miguel Conde
“Será que tudo me interessa?” Formulada de modo direto, a pergunta...
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Orelha do meu terceiro livro, Descalço nos trópicos sobre pedras portuguesas.
(Disponível em livrarias, entre as quais Travessa, Cultura, Blooks, Livraria da Vila.)

Por Miguel Conde
“Será que tudo me interessa?” Formulada de modo direto, a pergunta captura num átimo muito do que este livro de Thiago Camelo tem de mais forte e desconcertante. O gosto incontido pela especulação, o espanto com os rumos imprevistos do próprio pensamento, o ar desarmado de quem procura considerar as coisas e a si mesmo como se pela primeira vez. De tal maneira, que o leitor acaba por desconfiar se não entra nesse desaviso uma espécie de interpelação. Como se, ao expor sua perplexidade, o poeta chamasse a atenção para uma estranheza que desaprendemos a observar, dando a ver “aquilo que nem sabíamos véu”. Sempre a remoer suas “paixões estranhas por assuntos estranhos”, essa voz meditativa e dada ao devaneio tem fôlego de mergulhador e apetite de colecionista. Seus artigos de predileção são também recolhidos nas esquinas da cidade, que frequenta com desenvoltura, mas sua perambulação adentra territórios de ordem diversa. Seus versos curtos se sobrepõem em colunas que se estendem de alto a baixo na página, de uma página à outra, como se quisessem ligar as constelações ao mundo sublunar. Das recordações pessoais e conversas com amigos, do repertório onívoro de livros, discos e filmes, das muitas horas diante da televisão ou do computador, resultam encontros inesperados. Entre o fluxo de consciência e o binge reading de verbetes da Wikipédia, uma sequência de versos sobre a cor azul pode levar-nos do Egito Antigo aos mais avançados experimentos científicos, daí aos apuros financeiros de Vermeer e por fim à avó do poeta. Ônibus refrigerados são crianças sem fralda, um guindaste é uma girafa, um penteado lembra um dente-de-leão. Os ajuntamentos assim compostos não dispensam alguma comédia, mas sobre ela predominam a intuição assombrosa de uma diversidade inumerável do mundo e a aposta alta, corajosa, de que tudo pode caber no poema. Diante do imensurável, entrevisto num céu estrelado ou numa lista de vídeos do YouTube, os afetos repõem a medida e conduzem o olhar. Indicam o caminho de casa, antecipam as novidades do amigo, registram a roupa da mulher amada. O tempo distendido dos poemas, que permite as passagens de um assunto a outro, é também um jeito de se demorar sobre o que importa: as histórias que “precisam ser contadas”.

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Release de Descalço nos trópicos sobre pedras portuguesas.

Dentro da sua já conhecida e destemida linha editorial que privilegia as novas vozes da literatura brasileira contemporânea, a Nós lança Descalço nos trópicos sobre pedras portuguesas, do poeta e letrista carioca Thiago Camelo.

O livro é composto de 15 poemas, de extensão e métrica variáveis, com especial destaque para os poemas mais longos, em que o autor define sua poiesis: “Agora já é passado”, “Histórias tristes precisam ser contadas” e “Você me conhece, eu nunca durmo”. Como nada que um poeta seguro de seu ofício como Thiago Camelo faz é fortuito, esses poemas estão dispostos no início, meio e fim do livro, como que para definir a respiração da leitura.

Parafraseando um famoso verso de Alexander Pope, podemos dizer que nos poemas de Thiago “o universo é a minha caça”, onde especulações sobre a Segunda Lei da Termodinâmica e a crescente entropia são sucedidas pela obsessão momentânea pela dinâmica do arremesso de Stephen Curry ou pela invenção da Fanta pelos nazistas. Como o texto de apresentação de Miguel Conde define com precisão, Thiago faz “a aposta alta, corajosa, de que tudo pode caber no poema”.

Através de símiles surpreendentes, seja em um restaurante‑aquário no bairro de Botafogo, o locus poético do autor, seja na Igreja de São Domingos em Lisboa, busca-se a “a vibração que os delimita humanos”, sem no entanto imprimir um ritmo taquicárdico, de ruidoso encantamento com as maravilhas cibernéticas da era das redes sociais, pois “Cento e vinte decibéis são o limiar da dor/Por muito menos já gritei pela janela”.

Não deixa de ser revelador que o único poeta citado no livro seja Fernando Pessoa. Seria ele, mais precisamente o heterônimo Álvaro de Campos, as pedras portuguesas sobre as quais Thiago assenta suas inquietações? Mas o ritmo deste descalço tropical é mais virtual-meditativo, sua voracidade não é vertiginosa, ainda que nos leve do Everest ao estômago dos cachalotes.

Descalço nos trópicos sobre pedras portuguesas é, sem dúvida, um ambicioso salto na trajetória poética de Thiago Camelo.

Thiago Camelo é carioca, nascido em 1983. Formado em Jornalismo e Cinema pela puc-Rio, publicou três livros de poesia: Verão em Botafogo (2010, 7Letras), A ilha é ela mesma (2015, Moça Editora) e Descalço nos trópicos sobre pedras portuguesas (2017, Editora Nós). Publicou também o conto A carne, as coisas pelo selo Megamíni (2015, 7Letras) e o livro-poema Silêncio pela coleção Puxadinho (2016, PipocaPress). A ilha é ela mesma teve apoio da Bolsa Criar Lusofonia, concedida pelo Centro Nacional de Cultura (Lisboa, Portugal).
Além de poeta, Thiago Camelo é letrista; em 2015, a canção “Espelho d’água”, parceria com seu irmão Marcelo Camelo, foi gravada por Gal Costa no disco Estratosférica. Também tem parcerias com Marcelo Frota, Fernando Temporão, entre outros artistas.

    • #descalço nos trópicos sobre pedras portuguesas
  • Há 1 ano
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Sobre

aqui coloco anotações.
thiago camelo
tdscamelo@gmail.com
// descalço nos trópicos sobre pedras portuguesas é o meu terceiro livro. poesia, editora nós, 2017.
// a ilha é ela mesma é o meu segundo livro. poesia, moça editora, 2015.
// verão em botafogo é o meu primeiro livro. poesia, editora 7letras, 2010.
// silêncio é um livro-poema que escrevi para a coleção puxad_nho. pipoca press, 2016.
// a carne, as coisas é um conto que escrevi para a coleção megamíni. editora 7 letras, 2015.
// estuários - o projeto "estuários" nasceu há muito tempo, quando vi os primeiros filmes-diário, em especial jonas mekas, e intuí suas possibilidades. o youtube sempre me pareceu um manancial de filmes-diário crus, não editados nem imaginados como tal, mas com forças evidentes. sempre quis produzir para a internet, pensando a tela do computador como porto final das imagens. as imagens eu já tinha (venho filmando há anos), acho que precisava esperar que elas decantassem, um processo relacionado ao tempo e sobre o qual se tem pouco controle. creio que elas finalmente decantaram.
é "estuários" pelo tejo, por traduzir o encontro do rio com o mar, doce e sal, por ser um lugar de mistura e de vida, por se relacionar com o fluxo incoercível da água, do tempo e das imagens.
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